A economia mundial atravessa seu pior momento. Quando se pensava que a crise imobiliária dos Estados Unidos parecia ter ficado no passado, sem grandes efeitos sobre o Brasil, ocorre um grande colapso no dia 15 de setembro. O que pôde ser observado caracterizou-se como a pior crise norte-americana desde a quebra da bolsa de Nova York em 1929.
De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o custo da crise seria de aproximadamente US$ 945 bilhões. Na última semana, o Tesouro anunciou um pacote de, inicialmente, US$ 700 bilhões que prevê um plano de ajuda ao setor financeiro, através da compra de dívidas de má qualidade.
O pessimismo generalizado a respeito do atual cenário econômico mundial tem impactos importantes sobre a confiança do consumidor, com riscos de redução na demanda turística. Os impactos da crise sobre o setor de turismo são os mais diversos e estão amplamente relacionados à capacidade do setor em manter a demanda por turismo aquecida.
Até o momento, os números do turismo mundial são robustos, embora a Organização Mundial do Turismo (OMT) aponte um arrefecimento no ritmo de crescimento, com revisão dos números para baixo. No ano de 2007, foram 903 milhões de chegadas internacionais de turistas, um incremento de 6,7% em relação ao ano anterior. Somente no primeiro quadrimestre deste ano, o fluxo de turistas internacionais cresceu 5%, quando comparado ao mesmo período de 2007. Entretanto, de acordo com projeção realizada em período anterior ao agravamento da crise norte-americana, a OMT já acreditava que, no ano de 2008, o crescimento não iria ultrapassar os 4%. Na próxima reunião da OMT, que será realizada em Madri, as projeções para o final deste ano farão parte da pauta. Ao que tudo indica, o agravamento do cenário econômico mundial trará previsões mais pessimistas, em especial, para o ano que vem.
Em meio a este turbilhão no mercado financeiro, será o turismo capaz de atravessar este momento difícil imune? Os norte-americanos destacam-se no ranking de turistas que visitam o Brasil, ocupando a segunda colocação, atrás apenas dos argentinos. Com o agravamento da crise, a tendência é de que os turistas provenientes dos EUA diminuam. Desta forma, as chegadas internacionais de turistas no Brasil podem ser afetadas pela redução na demanda por viagens daquele país. Neste cenário nada favorável, o setor turístico deve investir na sustentabilidade, através da criação de novos mecanismos de crescimento, encontrando novas formas e oportunidades de negócios.
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A capacidade de geração de empregos e renda do turismo é indiscutível. Por isso merece posição de destaque no que tange a formulação de políticas públicas que visem seu desenvolvimento. Com esta visão, a Lei Geral do Turismo contempla um ambiente favorável aos investimentos, criando um marco regulatório para o setor. O Plano Nacional de Turismo prioriza 65 destinos turísticos para que estes recebam investimentos, tornando-se pontos de atração para turistas brasileiros, movimentando o turismo interno.
A Lei Geral do Turismo foi vista com bons olhos pelos investidores estrangeiros, em especial, os portugueses, que pretendem ampliar seus negócios no Brasil, já que a lei trouxe maior segurança jurídica. Os investidores acreditam que a turbulência no mercado internacional pode ter impactos negativos sobre o turismo brasileiro, mas eles apostam no desenvolvimento e crescimento do turismo interno como forma de sustentação das taxas de crescimento robustas observadas nos últimos anos.
Portanto, apesar da gravidade do atual momento econômico mundial, o turismo brasileiro já demonstrou sua capacidade de reação a situações adversas. O turismo é especialmente importante para o crescimento dos países em desenvolvimento, pois as divisas geradas ajudam a equilibrar a balança comercial. Logo, cabe ao setor encontrar novas oportunidades de negócios e explorar outros nichos de mercado, já que o cenário atual e as perspectivas não são tão favoráveis.
(Fonte: Assessoria de Economia da FNHRBS)
Veículo de Publicação: Informativo da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares. |
Data: 03/10/08 |